29/11/2011

Viagem de férias mais pesada no orçamento.

Seja por terra ou pelo ar, viajar neste verão terá sabor mais amargo para o turista brasileiro. Os preços das tarifas de ônibus e avião tiveram altas muito acima da inflação do período e pesam no bolso do consumidor. A apenas três semanas das férias escolares, a dica é antecipar as compras em pelo menos 28 dias para conseguir valores um pouco menos salgados, o que pode significar até 50% de economia. Vale lembrar, no entanto, que as companhias aéreas já cobram tarifas de alta temporada e vai ser preciso muita pesquisa para encontrar bilhetes dentro do perfil econômico. 


Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o preço dos bilhetes aéreos teve alta de 51,88% de janeiro a outubro deste ano, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). As maiores variações acontecerem nos últimos dois meses, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em outubro a alta das passagens foi de 16,32% e em setembro de 21,9%. Enquanto a inflação medida na grande BH no período foi de 0,91% e 0,6%, respectivamente.


Nos últimos 12 meses, pelo IPCA-15 o aumento das passagens aéreas chega a 68,22% no país.  O analista de economia do IBGE, Antônio Braz, aponta que a variação “muito acima da inflação” está ligada ao aumento crescente da demanda. “Esse fator resulta também na eliminação de promoções atemporais e permite que as companhias aéreas repassem seus custos sem reduzir a margem de lucro”, afirma o especialista.


O corte nas tarifas promocionais é uma das justificativas para a alta nos preços das passagens aéreas, avalia José Maurício de Miranda, vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav). “Os voos estão todos lotados. É natural que as companhias aumentem os preços com a chegada do fim do ano. O que regula o mercado é a oferta e a procura”, diz. Ele destaca que até mesmo o segmento de hotelaria vem cobrando tarifas diferenciadas nos leitos, de acordo com a antecedência da reserva.


O reajuste do preço dos bilhetes era esperado, afirma Simone Escudero, analista do setor aéreo e diretora de projetos da All Consulting. “Para atrair o consumidor novato, das classes C e D, as companhias aéreas começaram a fazer promoções. Mas hoje, com os voos mais cheios, elas não precisam mais reduzir os preços”, explica Simone. A variação do câmbio nos últimos meses, diz, também ajuda a impactar de forma negativa na composição dos preços das passagens aéreas. “Os contratos de leasing das aeronaves são em dólar, assim como a cotação do querosene de aviação”, diz. 


Em nota, a Gol explica que a variação dos preços  neste ano está diretamente ligada ao aumento do preço do barril do petróleo. O produto, segundo a empresa aérea, corresponde a 40% dos custos operacionais da companhia. “Na composição dos preços das passagens vários itens são analisados, entre eles os custos da empresa, expectativa de demanda, de resultado e características do mercado em questão. Dessa maneira, uma vez que o petróleo impacta fortemente os custos da empresa, ele também tem impacto nos preços das passagens”, diz o texto.


Por meio de nota, a TAM explicou que trabalha com cinco diferentes opções de tarifas (promo, light, flex, max e top). As opções, segundo a empresa, atendem tanto o passageiro que determina sua compra em função das promoções  quanto o executivo que viaja frequentemente e busca maior flexibilidade de horário e destino. A TAM informa que as tarifas promocionais são conseguidas com viagens com três meses de antecedência, nos voos de terça, quarta e sábado, no meio do dia (no horário entre 10h e 16h) e na baixa temporada. 


Variação grande


Diante de cenário pouco atrativo, pesquisar pode ser o segredo para economizar. Em levantamento em sites de preços de passagens aéreas é possível verificar a discrepância entre os preços para quem compra para os próximos 28 dias e para quem compra com antecedência superior a um mês. O preço da tarifa da Gol para Salvador é de R$ 418,90 no dia 16, enquanto para 13 de janeiro o valor cai para R$ 216,90, redução de quase 50%. “Passageiros que planejam suas viagens com antecedência continuam e vão continuar se beneficiando de tarifas mais atrativas”, alerta nota da Gol. 

E viajar para o exterior também pode sair mais barato do que para o Brasil. Quem for de Belo Horizonte para Buenos Aires (Argentina) ou Montevidéu (Uruguai) em 13 de dezembro e voltar dia 20 vai pagar R$ 783 e R$ 765 nos bilhetes de ida e volta da Gol, sem a taxa de embarque. Em outros destinos do Nordeste brasileiro a viagem fica mais cara no mesmo período: R$ 986 para Natal (RN) pela Gol, R$ 919 para Maceió (AL) pela TAM e R$ 1,62 mil para Fernando de Noronha (PE) pela Trip. As tarifas são as mais baratas encontradas nos sites das companhias aéreas.


Por terra e mais caro


Ônibus ou avião, eis a questão: qual o transporte mais barato para as próximas férias? A resposta requer pesquisa, mas, com as altas variações nas tarifas dos dois modais, são muitos os casos de se encontrar passagens aéreas mais baratas em comparação com as terrestres. Pesquisa do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais mostra reajuste de até 16% para as viagens terrestres, mais de duas vezes na comparação com o acumulado da inflação nos últimos 12 meses (6,69%), o que possibilita em alguns casos a escolha pelas viagens aéreas. É o caso do tíquete para Brasília. Com o aumento da passagem de ônibus interestadual, muito acima da média dos outros trajetos saindo de BH,  é  mais vantajoso viajar de avião.


A maior variação de preços entre trechos interestaduais, segundo o levantamento, se deu para o percurso Belo Horizonte–Brasília, que subiu 15,96% no comparativo entre 2010 e 2011. Enquanto no ano passado a tarifa média era de R$ 97,25, neste ano subiu para R$ 112,77. Mensalmente, o comerciário Sérgio Joba viaja para a capital federal para trabalhar. São 24 passagens emitidas por ano. Ele calcula que só com a diferença de preço de um ano para outro – o tíquete de 2010 era R$ 15,52 mais barato – seria possível emitir quase quatro passagens. “É um peso muito grande para o bolso”, reclama.


Quem quer passar as férias de verão em Brasília tem a chance de trocar as 10 horas de estrada por 50 minutos de voo entre as cidades. E o melhor: pagando até 24,64% a menos. A tarifa econômica da Webjet para o trecho é de R$ 84,99 (sem tarifas aeroportuárias) para quem viaja em 11 de janeiro, diferença de R$ 27,78.


A gerente da Pesquisa de Preços do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Margareth Cintra, aponta que um dos motivos para os preços não se reduzirem para as empresas rodoviárias é a falta de concorrência. Em relação aos trechos originários em Belo Horizonte, 26 são operados apenas por uma companhia. “É um absurdo”, diz Margareth. “Se é feito planejamento da viagem, encontra-se passagens aéreas mais acessíveis que as rodoviárias”, acrescenta.


Por esse motivo, a auxiliar de enfermagem Maria das Graças Silva tem preferido viajar de avião nas vezes que visita os familiares da capital federal. São quatro a cinco passeios por ano. “Dessa vez, deixei para a última hora. Mas, se planejar com um ou dois meses de antecedência, compensa viajar de avião”, afirma Maria das Graças, que, no próximo mês viaja para Brasília para a formatura da filha. 

O trecho BH–Recife também é vantajoso se escolhidas duas companhias aéreas. Em consulta aos sites de venda das empresas encontram-se valores que favorecem viajar pelas empresas Webjet e Azul para fazer o trajeto interestadual. Os preços são R$ 208,99 e R$ 261, respectivamente, enquanto a tarifa rodoviária mais barata é de R$ 316,50. Ou seja, a variação é de até 51,44%.


Fonte:http://www.em.com.br/app/noticia/economia/2011/11/29/internas_economia,264639/viagem-de-ferias-mais-pesada-no-orcamento.shtml

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